Através do texto poético de Alexandre Augusto, conheça este ponto de encontro da juventude, palco de eventos políticos e culturais. O Urubatã ainda hoje inspira nostalgia no coração dos goianenses.

Por Alexandre Augusto
É com certo saudosismo que
nestas entrelinhas eu descrevo
este patrimônio vivo que fez
parte de Nossa História
Mas antes de começar,
não poderia de deixar de reverenciar
o saudoso e eterno nobre cidadão
Arnaud Batista Nogueira,
o idealizador e proprietário
desta obra tão vultuosa que
durante muito tempo simbolizou
um passado, promovendo cultura
e muita história
Ele era um homem com ideias
progressistas, com uma visão
empreendedora e também futurista
E tudo começou quando
ele iniciou a sua obra em mil
novecentos e cinquenta e três
e tendo inaugurado em vinte e três de
maio de mil novecentos e cinquenta e
sete esta obra-prima:
o saudoso Cine Urubatã
Que aqui ele implantou para todos
os irmãos Goianenses e, pela
época que foi edificado, chamava
a atenção pela sua modernidade
Este majestoso patrimônio
cinematográfico que ficou como
um dos marcos do seu extenso
legado de tantos feitos e
de muito serviços prestados
a nossa histórica cidade
chamada Goiana berço
de grandes personalidades.
Cidade esta que ele quando aqui
chegou, advindo de Gameleira-PB
ele adotou, morou e ao longo
de sua trajetória de vida
Constituiu sua família casando com
Laura Almeida Nogueira e tendo três
filhos: Agenor Almeida Nogueira,
Iracema Almeida Nogueira e
Inaldo Almeida Nogueira, todos
nascidos nesta terra que ele abraçou
e tanto amou.
O Cine Urubatã foi uma das suas
maiores realizações: era uma casa
de lazer e entretenimento, considerada
por todos como a maior de toda região
da zona da mata e tinha também a
fama de ser o recanto romântico
dos eternos namorados.
O seu visual era fantástico:
com uma bela paisagem arquitetônica
em sua fachada e uma extensa calçada
onde os seus assíduos frequentadores
ficavam interagindo num gostoso
e bom bate papo
Esperando que a bilheteria abrir-se
para comprar o seu ingresso com
a minha saudosa mãe Netinha como
assim popularmente era chamada
Para terem acesso a esta casa de
espetáculo, para assistirem das duas
a primeira sessão quando
a sirene tocava.
Só que antes de entrar neste recinto
para entregar o ingresso tinham que
passar pelas porteiras:
tinha dia que era Aparecida
e, em outro momento, era Rosalva,
todas da nossa família
E também pelo meu saudoso tio,
Paulo Sotero, o gerente deste cinema,
a quem todos admiravam por ser
brincalhão e muito simpático
e a todos ele conquistava
e fazia muitas amizades
com o seu jeito carismático
No interior do cinema, logo depois
de sua entrada, tinha um salão enorme
de espera com muitas cadeiras para
todos se sentarem quando chegassem
para esperar o início ou o fim da
primeira sessão que se findava
O seu auditório era bem amplo tanto
no térreo como no primeiro andar
Onde todos se acomodavam em
suas poltronas para assistir ao filme
Que já ia começar sobre o comando
dos dois operadores de máquinas
na sala de projeções com
os profissionais Gogó e Ademauro
Tínhamos também debaixo da escada
uma confeitaria com variedades
de doces, chicletes e chocolates
que foi administrada por um tempo
por Rosinha e, num outro momento,
por Nalva, que foi casada com o
saudoso artesão Zé do Carmo,
a elas, com sua simpatia, todos
os frequentadores compravam
O palco deste cinema não exibia
apenas grandes filmes de longa
metragem: realizava-se também
monumentais eventos de shows
com artistas nacionais como
Cauby Peixoto, Ângela Maria,
Valdick Soriano, Nelson Gonçalves,
Nelson Ned e tantos outros
Já do nosso estado, tínhamos shows
com os artistas Reginaldo Rossi,
Kátia Cilene, Marlene Cavalcante e
Mozart
E, dos nossos artistas locais daquela
época, tínhamos Gilvan Nogueira, o
Dueto Gracinha Borges e Renato
Felix, Luciano Albertim e
Esmeraldo Gadelha
Todos os artistas acompanhados
pelo conjunto Os Verdugos,
de nossa cidade, sem falar nos festivais
de música que ainda me lembro
das participações dos saudosos
Zequinha, filho de João do fumo,
e Ricardo Viegas
Sem esquecer de citar as matinês
aos domingos para a criançada
se divertir e também se alegrar
Tinha também as famosas gincanas
estudantis, que eram uma verdadeira
festa que animava a todos
que se faziam presentes
Tudo isso movimentava a nossa cidade
com estes maravilhosos eventos
Por outro lado, havia também neste
espaço as convenções políticas,
já que o saudoso Arnaud Batista
Nogueira era um homem politizado e
naquela época era filiado a Arena
e, juntamente com o seu genro, o
saudoso deputado Osvaldo Rabelo
tinham muita influência
no meio político do nosso estado
E gozavam de muitas amizades com
Joaquim Francisco, Roberto
Magalhães, Marco Maciel e Moura
Cavalcante
E, só para vocês terem ideia do seu
grande prestígio, tinha também
amizade com ilustres figuras do
meio político nacional como João
Cleofas, Juscelino Kubitschek e
Getúlio Vargas
Mais tudo isso ficou no passado,
pois com o falecimento de Aranud
Batista Nogueira, o seu filho, Agenor
Almeida Nogueira, herdeiro direto
do Cine Urubatã, vendeu o prédio
para um supermercado
E com isto houve uma comoção
em nossa cidade quando as portas
do Cine Urubatã foram fechadas
E hoje, quando passo pelo prédio
que ainda resta, só me vem as
boas lembranças dos tempos de
Outrora e muitas saudades

Arnaud Batista Nogueira – Idealizador e Proprietário do Cine Urubatã / Imagem: Facebook

Mulheres na frente do Cine Urubatã / Imagem: Facebook

Contra Capa / Capa do livreto de Alexandre Augusto “Uma homenagem ao saudoso Cine Urubatã”

Nenhum comentário