O goianense Luciano Albertim escreve em sua coluna de memórias sobre o “Boom” da Jovem Guarda com a banda Os Verdugos, a cena musical dos anos 60 em Goiana-PE e os shows da época no Cine Urubatã.

A banda Os Verdugos e o Cine Urubatã / Imagem: Gemini
Por Luciano Albertim
Estava me lembrando da “Boate e Churrascaria Yara”. Pertencente ao Sr. João Marinho. Animação musical com Os Verdugos, na primeira formação. Murilo na guitarra base, era uma Gianini. A solo de Zequinha era uma Soneli. Zé Pedro no baixo elétrico, fabricado na cidade dos Barreiros-PE, onde ele e Zequinha estudaram na “Escola Agrícola João Coimbra”. Na bateria o Negão Nilo, com a bateria de seu irmão, o saudoso Siluca, um craque do voleibol. Zé Mário, vocalista. Em um período, Darcio Martins funcionou como o “empresário” do conjunto.
Aliás, muitos goianenses estudaram nessa Escola Agrícola, em Barreiros. Eu estive lá por uma semana. Era um barato o ambiente. Democrático ao extremo. Nesse tempo, Zequinha tocou em um conjunto da cidade, por nome “The Embassy”. Cantei com eles em um baile no Clube Caiadores, o melhor da cidade.
Ano de 1968. Nesse final de ano, Zequinha formou o conjunto “Os Verdugos”. Primeiro conjunto de guitarras elétricas de Goiana. Era o “boom” do movimento de Jovem Guarda em Goiana. Embora já houvesse shows e bailes nesse gênero, a formação de Os Verdugos alavancou a cena cultural cantante em Goiana. Surgindo bons valores a interpretar os grandes “hits” musicais nacionais e até internacionais.
Assim sendo, iniciou-se uma fase de shows no grande Cine Urubatã com o pessoal da terra e por vezes participando de shows de artistas da capital Recife e de nomes nacionais.
Antes do advento das guitarras, quem animava a cena musical goianense era a denominada “Bandinha do Mestre Alberto”, maestro da Banda Musical Saboeira. A Bandinha era um grupo jazz-band, formado por filhos (Pitota, Valdir) do mestre, músicos da Saboeira, e os crooners Evaldo Alves (Neném Lôlo) e a exuberante Neide Terradura, que era “nossa Wanderléia”.
Evaldo, por ser de um estilo mais MPB nesse tempo, não atuava assiduamente nos shows estilo jovem guarda (ié-ié-ié). Tínhamos um belo elenco de cantares, como Gilvan Nogueira, Wagner, Birrino, ‘Bidú’ Renato Oliveira, conhecido como Renato Maconha. A dupla Gracinha Borges, (nossa Elis), Renato Felix, Deuzarina, cantava em italiano as músicas de Gigliola Cincoetti, barbaridade. O Quarteto SG (Gersino Santo, Lindolfo Cruz, Cabo Duca e Zé Vieira), Enéias (Zeca de Alípio), Marilene, Simonal goianense, Esmeraldo (Melo) Gadêlha, Nildo de Zé do SESI. Este que escreve esse texto, Luciano Albertini.
Se esqueci alguém, que me desculpem. Afinal, muitos anos são passados e a memória também envelhece, comete esquecimentos e equívocos de nomes e fatos. Éramos todos jovens. Belos tempos, velhos dias.
Alguns dos citados são falecidos. São passados desse tempo 56 a 60 anos. Saudosas lembranças dos que se foram, forte abraço aos viventes.
Eu, aqui estou nos meus 75 anos de idade, a rememorar e contar histórias. Minhas e dos outros.
Há muitas, guardo sigilo tumular. Lembremos do que nos é salutar!!!
Albertin’s. Luciano,

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