O goianense Luciano Albertim estreia sua coluna de memórias relembrando o show de Elba Ramalho como baterista da banda “As Brasas” que realizou em Goiana no início de sua carreira artística na década de 60.

Elba Ramalho foi baterista de banda rock de garotas (Foto: Revista Quem – Site)
Por Luciano Albertim
Fiz esse texto devido a recente apresentação de Elba Ramalho em Goiana. Ao que soube, Elba fez um belíssimo show, como costuma honrar em seus contratos.
Mas a primeira vez que esteve em Goiana foi como baterista do conjunto (banda) feminino “As Brasas”, oriundo de Campina Grande-PB, a exibir-se tocando um baile na Sociedade 12 de outubro – Saboeira.
Esse baile aconteceu em uma noite de terça para quarta-feira. Algo incomum na época. Como também inusitado que, após o intervalo, as moças do conjunto convidavam ao palco alguns rapazes presentes para retirarem suas (delas) perucas. Daí, tocavam a segunda parte do baile, carecas.
Lembro muito bem desse baile, por um fato acontecido comigo. Ao pular o muro do clube, fui flagrado pelo policial de plantão, e ao ser conduzido pelo meio do salão, expulso do clube, a Elba veio até a portaria e chamou-me de volta ao baile. O porteiro nessa noite era o conhecido Lula, filho do Sr. Nozinho da serraria.
Estava presente Sebastião Gadêlha e o saudoso amigo (desde escola) Yolan Filho, do conhecido Bento investigador de polícia, o qual não lembro o nome de família. Residiam na rua Gen. Cordeiro de Farias.
Tomamos umas bicadas para ir ao baile. Yolan e família haviam mudado para o Recife. Veio a Goiana por causa do baile muito comentado, pelo inusitado do dia e a performance do conjunto “As Brasas”.
Eles dois não participara da aventura de pular o muro. Pulamos eu e o também saudoso Juarez “banda de boi”. O flagrante do pulo foi devido o estardalhaço de Juarez ao pular. Daí, sucedeu o acontecido. Parou o baile, devido ao agito que fiz ao passa frente ao palco. Falei algo que fez a Elba tomar a atitude de me resgatar ao baile. Pra mim foi algo magnífico.
O adolescente que retirou a peruca da Elba foi o então cabeludo na época, o saudoso popular “Miau” Carlos Severino Barros. Era o ano de 1966. Jamais imaginávamos que aquela moça, um dia se tornaria a famosa cantora Elba Ramalho, um ícone da música nordestina e brasileira.
Certa vez em uma entrevista no programa do também saudoso Jô Soares, Elba referiu-se a esse período da vida dela, como baterista de As Brasas e o fato de tocarem de cabeças raspadas uma parte do baile.
Memórias dos anos 60. Início dos denominados “Anos Dourados”.
Velhos tempos, belos dias.
A. L.V.C.

Nenhum comentário